domingo, 6 de setembro de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Posso dar mel de abelhas para o meu filho, doutor?

Esta é uma pergunta muito frequente nos consultórios.
O mel é um alimento rico em vitaminas e nutrientes, usado pelo homem há milhares de anos, e muitas vezes, com excelentes resultados para alívio da tosse nas gripes e resfriados (aliás, nas farmácias, metade dos medicamentos para tosse vendidos sem receita contém mel). Provavelmente muitos de nós já o utilizamos com esta finalidade alguma vez na vida. Talvez várias vezes!
A preocupação é com o botulismo, doença causada pela toxina botulínica, que por sua vez é produzida pelo Clostridium botulinum.
A toxina bloqueia as atividades da placa motora, o local onde o nervo encontra a fibra muscular e estimula/coordena sua contração para os diversos movimentos e funções da musculatura tanto estriada quanto lisa.
Caracteriza-se por Hipotonia/Paralisia flácida motora simétrica e descendente.
Isto é, há uma fraqueza muscular, que rapidamente evolui para paralisia flácida, não consegue-se mexer os músculos que vão sendo acometidos, e que geralmente inicia nas partes superiores do corpo e depois acomete as outras partes, no sentido de cima para baixo.
Pode propagar então para músculos do tronco e membros, com:
• Tetraplegia flácida
• Dispnéia (falta de ar importante por paralisia da musculatura respiratória)
• Insuficiência respiratória
Há também um quadro facial:
• Visão turva
• Ptose palpebral
• Diplopia
• Disfagia
• Disartria
• Boca seca
Em geral, a cosnciência é preservada.
Nos lactentes, pode evoluir como simples cólicas, com diarréia ou constipação. Mas também pode evoluir com os mesmo sintomas graves do adulto.
A maior fonte de contágio é pelo consumo de conservas fortemente contaminadas pelo clostridium e com presença maciça de sua toxina. No Brasil, a maior fonte de botulismo são as conservas de palmito extraídas e envasadas ilegalmente, sem qualquer higiene. Segundo pesquisas, vários outros alimentos armazenados em conserva (envasados) podem ser fonte de botulismo, inclusive o mel.

Desde que a ANVISA recomendou, no ano passado, que o mel de abelhas não fosse consumido por crianças menores que 1 ano de idade, o "telefone sem fio" já circulou entre profissionais de saúde, jornalistas, pais e outros leigos, e distorceu a realidade dos fatos.
Fato 1 - O mel pode sim, ser um alimento contaminado com várias bactérias, incluindo a bactéria do botulismo, se não for devidamente produzido com as adequadas condições de higiene no apiário, seja na produção, na coleta, envasamento, armazenamento ou manipulação.
Fato 2 - Não há qualquer registro seguro na literatura médica de botulismo infantil seguramente adquirido através do consumo de mel.
Fato 3 - A maturidade da mucosa intestinal e dos mecanismos imunológicos já está pronta entre os 4-6m, nos bebês que receberam leite materno, e após os 6m nos bebês alimentados com fórmulas lácteas. O que muda daí para frente é a flora intestinal, baseado na alimentação e hábitos da criança e familiares.
Fato 4 - A instalação do quadro de botulismo não guarda qualquer relação estabelecida com a maturidade da flora intestinal, ao contrário do argumentado nos artigos jornalisticos que foram veiculados após a recomendação da anvisa.
Fato 5 - As amostras de mel utilizadas tinham proced6encia viciada, já que nenhuma foi adquirida em comércio formal (farmácia/supermercado) mas apenas em mercados e feiras livres, com ambulantes. Não é possível supor uma adequada higiene neste caso, certo?
Fato 6 - A presença do patógeno num alimento, não significa necessariamente um risco maior de contrair a doença. Um exemplo é o vírus da hepatite C, presente no leite do seio de mães portadoras, mas sem um relato de caso sequer de hepatite C transmitido através do leite materno.
Fato 7 - Nos últimos 10 anos, não houve um caso sequer de botulismo entre crianças com menos de 4 anos de idade, e apenas 4 casos com crianças entre 4 e 6 anos de idade.
As evidências científicas para recomendar o não uso do mel são no mínimo, questionáveis. A orientação, em verdade, deve ser do uso apenas terapêutico do mel com procedência garantida, preferencialmente adquirido em farmácia ou supermercado, com referências do apiário e certificados no rótulo, da vigilância sanitária.
Este mel deve ser utilizado apenas no preparo dos melaços ou xaropes caseiros para tosse, já que a mistura de mel, água e erva/fruta (hortelã, puejo, mastruz, abacaxi, laranja, limão, etc) quando cozinhada por 15 min a 100oC inativa a toxina e mata os esporos de clostridium, bem como de outras bactérias.
O consumo de mel in natura e também a prática de passar mel nas chupetas não é recomendado para os bebês com menos de um ano de idade.
Referências:
1 - http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/12_78_mel.htm
2 - http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/mercosul/alimentos/89_99.htm
3- http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/09/02/materia.2008-09-02.2674561304/view
4 - http://www.qualittas.com.br/documentos/Botulismo%20no%20Mel%20Revisao%20de%20Leitura%20-%20Rebeca%20Mendes.PDF
5 - http://www.scielo.br/pdf/cr/v38n2/a16v38n2.pdf
6 - http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Botulismo.ppt.pdf
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A Vacinação do Bebê Prematuro
O recém-nascido prematuro tem várias particularidades. Uma delas é quanto à imunização, ou seja, às vacinas. De acordo com o peso de nascimento e o peso de alta, com a sua condição clínica e sua idade gestacional corrigida, o prematuro receberá suas vacinas com algumas diferenças em relação aos bebês de termo, que nasceram à época correta, ao fim de uma gestação completa, com peso adequado para a idade gestacional.
Essas diferenças dizem respeito à época de início da vacinação, ao número de doses e mesmo a que vacinas lhe estão indicadas. É importante estar atento a estes dados para garantir a melhor proteção para a saúde destes frágeis pequeninos. Consulte o seu Pediatra para maiores esclarecimentos.
A seguir, clicando nas imagens, você encontra o calendário de vacinação para prematuros da Associação Brasileira de Imunizações, do ano de 2009.

Curso de Otorrinolaringologia para Pediatras
Sociedade Brasileira de Pediatria
Otorrinolaringologia
24 e 25 de Julho de 2009 na
Sociedade Médica de Sergipe
SOMESE
Clique na imagem para ver o cartaz do evento:
quinta-feira, 9 de julho de 2009
O Juramento de Hipócrates

Uma boa leitura para todos os colegas médicos, que deveria ser feita diariamente.
JURAMENTO DE HIPÓCRATES
" Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte. Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Atualização: Influenza H1N1 (gripe suína)
No caso da Influenza H1N1, verificou-se que apesar do novo vírus, a gravidade da doença não é pior que a de qualquer outro tipo de influenza (gripe viral comum), estando sob risco apenas aquelas pessoas que têm condição frágil de saúde, como recém-nascidos, idosos, pacientes com doenças cardiopulmonares graves ou deficiência/supressão imunológica.
A mortalidade geral da nova gripe é inferior à da média das gripes comuns, menos de 0.5% (máximo de 5 mortes por complicações associadas à gripe em cada 1000 pessoas infectadas).
Por esse motivo, "a guarda foi abaixada", pela comunidade internacional, e apenas pessoas em situação de risco terão atenção especial e preferência na hora de receber medicação anti-viral adequada.
Como o vírus é novo, e a vasta maioria das pessoas não possui anticorpos contra ele, é quase certo que o número de casos vai ser muito grande neste momento. Mas se você não faz parte do grupo de risco, provavelmente não sofrerá mais que os sintomas de uma gripe comum em caso de contágio.
Independente destas novas informações, ninguém gosta de ficar doente e correr riscos desnecessários, faltar ao trabalho ou aguentar os desagradáveis sintomas de uma gripe. Portanto, as recomendações do Ministério da Saúde (vide texto abaixo) estão integralmente mantidas.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Para entender a Influenza A (H1N1): Perguntas e Respostas

A comunicação tem espaço fundamental na luta contra qualquer doença. Um exemplo é o caso do enfrentamento da influenza causada pelo vírus A (H1N1), quando o Ministério da Saúde tem procurado deixar todos os cidadãos informados com regularidade sobre a evolução da doença no Brasil. Esclareça suas principais dúvidas sobre a influenza A (H1N1).
1. O que é a influenza A (H1N1)?
É uma doença respiratória aguda (gripe), causada pelo vírus influenza A (H1N1). Este novo subtipo do vírus da influenza, assim como a gripe comum, é transmitido de pessoa a pessoa principalmente por meio de tosse ou espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.
2. Quais os sintomas que definem um caso suspeito de influenza A (H1N1)?
Febre alta de maneira repentina (maior que 38ºC) e tosse podendo estar acompanhadas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória;
E
· ter apresentado esses sintomas até 10 dias após sair de países que reportaram casos pela influenza A (H1N1);
OU
· ter tido contato próximo nos últimos 10 dias com pessoa classificada como caso suspeito de infecção humana pelo novo subtipo de influenza.
Observação: Contato próximo: indivíduo que cuida, convive ou teve contato direto com secreções respiratórias ou fluídos corporais de um caso confirmado.
3. Em quanto tempo, a partir da transmissão, os sintomas aparecem?
Os sintomas podem iniciar no período de 3 a 7 dias após contato com esse novo subtipo do vírus e a transmissão ocorre, principalmente, em locais fechados.
4. Há uma vacina que possa proteger a população humana contra essa doença?
Não. Não existe vacina contra esse novo subtipo de vírus da influenza. Há pesquisas em andamento, mas não há previsão para o desenvolvimento desta vacina.
5. A vacina contra gripe comum protege contra a influenza A (H1N1)?
Não há, até o momento, nenhuma evidência de que a vacina contra gripe comum proteja contra gripe do vírus A (H1N1).
6. Há tratamento para Influenza A (H1N1) no Brasil?
Sim. O Ministério da Saúde adotou um protocolo para tratamento, com utilização de um medicamento antiviral (fosfato de oseltamivir) que será usado apenas nos pacientes que cumpram a indicação descrita no protocolo. O remédio é indicado para ser for tomado até 48 horas a partir do início dos sintomas. ALERTA: Ninguém deve tomar o medicamento sem indicação médica. A automedicação pode mascarar sintomas, retardar o diagnóstico e até causar resistência ao vírus.
7. O Brasil tem estoque de medicamento para tratamento de pacientes?
Sim. O Ministério da Saúde conta com estoque estratégico suficiente para tratamento de casos de influenza A (H1N1). Para uso imediato, há 6.250 tratamentos adultos e 6.250 pediátricos, que estão sendo enviados aos estados de acordo com a necessidade. Além disso, o governo brasileiro possui, acondicionada em tonéis, matéria-prima para 9 milhões de tratamentos. O medicamento bruto está pronto para ser transformado em cápsulas. O inicio do processamento será indicado pelo Ministério da Saúde, conforme a necessidade.
8. É seguro comer carne de porco e produtos derivados?
Sim. Embora o nome popular da doença remeta a suínos, não há evidências de que esse novo subtipo de vírus esteja relacionado a transmissão por ingestão destes animais. Portanto, não há risco no consumo de produtos de origem suína.
9. O que é uma pandemia?
Uma pandemia pode ocorrer quando surge um novo agente como, por exemplo um vírus, contra o qual a população não está imunizada – não há vacina pronta, nem o corpo das pessoas conhece o vírus. Assim, muitos são atingidos, resultando em uma epidemia que se espalha em diversos países. Fatores como o incremento do fluxo de pessoas entre países, a urbanização e o crescimento populacional contribuem para acelerar esse processo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divide seus países membros em seis regiões: África, Américas, Sudeste Asiático, Europa, Mediterrâneo Oriental e Pacífico Ocidental. Além disso, possui fases de alerta para pandemia, em uma escala de 1 a 6.
O alerta 5 da OMS, fase em que nos encontramos no momento, é quando o há transmissão sustentada do vírus, de homem para homem, em pelo menos dois países de uma mesma região.
O organismo internacional eleva o nível de alerta para a fase 6 quando há uma transmissão sustentada do vírus, de homem para homem, em pelo menos duas dessas regiões.
10. Como o Brasil está se preparando para uma pandemia de Influenza A (H1N1)?
O Brasil está bem preparado para uma possível pandemia. Isso porque o governo brasileiro já havia começado a estruturar sua rede de vigilância para influenza há nove anos (em 2000). Por causa do enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) entre 2002 e 2003 e a partir de então a ameaça de uma possível pandemia de gripe aviária, em 2003, o governo brasileiro constituiu um comitê técnico para a elaboração do plano de preparação brasileiro para o enfrentamento de uma pandemia de influenza e iniciou a preparação de unidades hospitalares de referência. Esse plano está pronto há mais de dois anos e começou a ser colocado em prática no momento em que o Brasil foi notificado pela OMS dos casos de Influenza A (H1N1), em 25 de abril passado. O Brasil conta com 54 centros de referência, em todo o Brasil, preparados para tratar possíveis doentes. Estas unidades se enquadram em parâmetros exigidos pela OMS para o atendimento à essa doença, com área livre para isolamento de contato, equipamentos de proteção individuais para acompanhamento, exames e tratamento dos casos. A estruturação da vigilância epidemiológica também teve um grande avanço na preparação para essas emergências, destacando-se a constituição da Rede CIEVS, que conta com 22 unidades em estados e municípios de capitais, com capacidade de detectar e responder rapidamente a essas emergências.
11. Quais medidas estão sendo adotadas com relação aos voos internacionais?
Sim. Dentro da aeronave em voo: as tripulações das aeronaves estão orientadas a informar os passageiros, ainda durante o vôo, sobre sinais e sintomas da influenza A (H1N1). Adicionalmente, a tripulação solicitará que passageiros com esses sintomas se identifiquem à tripulação. Esses passageiros identificados serão encaminhados para os postos da Anvisa ainda no aeroporto.
Ao desembarcar, todos os viajantes procedentes de países afetados, recebem folder/panfleto com informações, em português, inglês e espanhol, sobre os sinais e sintomas, medidas de proteção, higiene e orientações para procurar assistência médica. Complementarmente, a Infraero veicula, nesses aeroportos, informe sonoro.
Todos os passageiros vindos de outros países tem suas Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA), retidas pela ANVISA. A DBA atua como fonte de informações para eventual busca de contatos se for detectado caso suspeito na mesma aeronave.
O passageiro procedente de país afetado que sentir os sintomas em casa após 10 dias de retorno da viagem deve procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima e informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.
12. Como está sendo feito o controle sanitário de passageiros internacionais nos aeroportos do país?
Com a elevação do nível de alerta da OMS de 4 para 5, a Anvisa passou a monitorar todos os vôos internacionais que chegam ao Brasil. Em caso de identificação de casos suspeitos, o viajante será encaminhado, juntamente com passageiros próximos a ele para avaliação clínica e epidemiológica na unidade de atendimento do aeroporto, e se necessário, encaminhamento para hospital de referência. Os demais passageiros serão liberados, após receberem informações sobre a doença.
Para ampliar a vigilância, a ANVISA ampliou seu quadro de funcionários nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Galeão, no Rio de Janeiro, principais portas de entrada dos vôos internacionais no Brasil. No momento, 82 funcionários se revezam em três turnos, em Guarulhos, e 55, no Galeão.
13. Quais ações de controle estão sendo feitas em navios?
Nas embarcações que chegam ao país, o comandante ou representante legal deve informar imediatamente à autoridade sanitária todos os casos que se encaixam na definição de suspeito para influenza A (H1N1). Nessa situação, as embarcações só recebem autorização para atracar após a inspeção sanitária a bordo, realizada em fundeio ou área designada.

14. Qual é tratamento dado aos resíduos sólidos de navios ou aeronaves?
Resíduos sólidos provenientes de aeronaves ou embarcações com casos suspeitos serão classificados como resíduos do tipo A, ou seja, potencialmente infectantes. O descarte desses resíduos passará por procedimentos de inativação microbiológica antes da destinação final.
15. Para quais casos é recomendado o uso de máscaras de proteção?
Os equipamentos de proteção individual, como máscaras, devem ser utilizados por pessoas que apresentam os sintomas e pelos profissionais envolvidos no seu atendimento e na inspeção dos meios de transporte nos quais eles se encontravam. No nível de alerta internacional de número 5, a OMS não recomenda o uso de máscaras por pessoas saudáveis.
16. Existe algum controle de identificação e rastreamento de passageiros que chegam ao país?
Sim. Todo viajante procedente do exterior deve preencher a Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA) – declaração da Receita Federal do Brasil onde constam, entre outros, seus dados pessoais. A DBA fica disponível para as autoridades sanitárias, caso seja necessário rastrear passageiros que estiveram em determinado vôo.
17. Quais as recomendações do Ministério da Saúde para os viajantes internacionais?
a) Aos viajantes que se destinam aos países afetados:
• Em relação ao uso de máscaras cirúrgicas descartáveis, durante toda a permanência nos países afetados, seguir rigorosamente as recomendações das autoridades sanitárias locais.
· Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
· Evitar locais com aglomeração de pessoas.
· Evitar o contato direto com pessoas doentes.
· Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
· Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
· Lavar as mãos freqüentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
· Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes a esses países.
· Não usar medicamentos sem orientação médica.
Atenção! Todos os viajantes devem ficar atentos também às medidas preventivas recomendadas pelas autoridades nacionais das áreas afetadas.
b) Aos viajantes que estão voltando de viagens internacionais:
Viajantes procedentes de outros países, independente de ter ou não casos confirmados, que apresentarem alguns dos sintomas da doença até 10 dias após saírem dessas áreas afetadas devem:
• Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
• Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.
18. O que a população pode fazer para evitar a influenza?
Alguns dos exemplos de cuidados para a prevenção e controle de doenças de transmissão respiratória são:
· Lavar as mãos com água e sabão (depois de tossir ou espirrar; depois de usar o banheiro, antes de comer, antes de tocar os olhos, boca e nariz).
· Evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies.
· Usar lenço de papel descartável.
· Proteger com lenços a boca e nariz ao tossir ou espirrar.
· Orientar para que o doente evite sair de casa enquanto estiver em período de transmissão da doença (até 5 cinco dias após o início dos sintomas).
· Evitar aglomerações e ambientes fechados (deve-se manter os ambientes ventilados).
É importante que o ambiente doméstico seja arejado e receba a luz solar, pois estas medidas ajudam a eliminar os possíveis agentes das infecções respiratórias.
· Restrição do ambiente de trabalho para evitar disseminação.
· Hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, ingestão de líquidos e atividade física.
Fonte: Ministério da Saúde - Brasil
Em defesa da pediatria no Distrito Federal e no Brasil
01 de Julho de 2009 – n° 130
Em defesa da pediatria no Distrito Federal e no Brasil
Bruno Peres
Os pediatras que trabalham com planos de saúde no Distrito Federal estão mobilizados para manter o atendimento aos seus pacientes. Depois de tentar, desde abril, a negociação com as operadoras, realizaram hoje um movimento de alerta. “A maior parte dos atendimentos que fizemos nesta quarta-feira, 65%, foram gratuitos, porque eram urgências ou pacientes que se declararam em emergência social”, informa o dr. Dennis Burns, presidente da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (SPDF) e 3º secretário da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Dos demais, foi cobrado o preço estipulado pelos médicos (R$90,00), com a orientação de que seja solicitado o ressarcimento das operadoras. Em geral, os valores pagos pelas empresas de saúde variam de R$28 a R$47. “Os pacientes são nossos aliados e entenderam nossa reivindicação. O movimento foi sereno, tranqüilo e nesta quinta-feira, dia 02, o atendimento será normal. No entanto, se dentro de 15 dias não tivermos um acordo, os pediatras da capital federal vão rescindir os contratos com os planos de saúde”, adverte.

Para o presidente da SBP, dr. Dioclécio Campos Jr., o que ocorreu hoje na capital federal foi uma reação dos pediatras ao desrespeito com o qual têm sido tratados pelas empresas privadas e também pelos gestores do serviço público de saúde. “O movimento foi muito bem estruturado, maduro, soube garantir os direitos dos pacientes e chamar a atenção da sociedade para as péssimas condições de trabalho e para a absurda remuneração hoje praticada. É um sintoma forte do despertar de uma categoria, a exemplo também da reação dos pediatras do Tocantins à atitude arbitrária de uma operadora de saúde”, salientou.
Real situação
“A questão não é apenas financeira, mas as consequências de uma remuneração que acaba causando a diminuição da oferta dos serviços. Dois hospitais já fecharam o atendimento pediátrico este ano na capital federal. Nós também temos filhos, nos preocupamos. Há um aumento de pacientes e uma sobrecarga total de trabalho”, diz o dr. Alexandre Nicolai, coordenador da pediatria do Hospital Santa Lúcia.
Dr. Dennis acrescenta que dirigentes das instituições que encerraram recentemente o serviço de atendimento pediátrico alegaram falta de pediatras e também que os que existem não querem assumir funções estressantes. “Mas isto não é verdade”, afirma, argumentando que, para se ter uma idéia, em 2000 o Distrito Federal contava com 2 mil pediatras e hoje, em 2009, “somos 1.600”. No mesmo período, a taxa de natalidade caiu de 2.9 para 1.7 por família. “A OMS recomenda 20 pediatras para cada grupo de 100 mil habitantes. No Brasil somos 23 e no DF 54”, lembra também, acrescentando que a Europa conta com 17. “Não faltam profissionais, o que falta é seriedade por parte das empresas”, frisa.
“Os pacientes que atendo são altamente a favor do nosso movimento”, garante a dra. Katarina Itabaiana. “Quando falamos sobre o valor da consulta que é repassado para o médico, as pessoas ficam impressionadas. Ainda recebemos às vezes com dois meses de atraso”, diz a dra. Isabel Lima, assinalando também o problema com as condições de trabalho: “examinamos a criança como um todo. Tem paciente que chora, reage, precisamos de tempo, de ouvir a mãe”.
Reivindicações
Além da consulta a R$90,00, na pauta dos pediatras de Brasília há também o pagamento da chamada “consulta de retorno”– pois o que define se o médico deve rever seu paciente é o quadro clínico e não pode ser o prazo de 30 dias estipulado pelas operadoras –, da visita hospitalar (também os internados, que em alguns casos precisam ser vistos até mais de uma vez por dia, sofrem com as restrições hoje impostas) e de 30% a mais nas consultas ambulatoriais, pois a puericultura, a prevenção, é demorada, implica várias orientações, e deve ser valorizada, a exemplo do que estabelece o projeto de lei 228/08, elaborado pela SBP e pela senadora Patrícia Saboya, em tramitação no Congresso Nacional. Os pediatras querem também estabelecer um mecanismo de reajustes periódicos.
Hoje, a SPDF foi recebida pelo Ministério Público, que considerou o movimento “legítimo”. Como “trata-se de um contrato de prestação de serviços entre partes, os médicos têm todo o direito de não mais aceitarem trabalhar para as operadoras de saúde”, informa o dr. Dennis, ressaltando: “não é isso que queremos. Mas estamos firmes em nossa decisão”, avisa. Dr. Dennis assinala que até os colegas que não trabalham em pronto-atendimento, mas apenas em seus consultórios, contataram a entidade, informando sua adesão. Participação que para o dr. Dioclécio Campos Jr. só tende a crescer, tanto no Distrito Federal, como no restante do País. “O movimento associativo da pediatria brasileira está cada vez mais coeso e firme na defesa da dignidade profissional e dos interesses das crianças, dos adolescentes e de suas famílias”, finaliza o presidente da SBP.

Veja o documento aos pais entregue pelos pediatras do Distrito Federal
Leia em Projetos de Lei e propostas para o sistema de saúde, na capa do portal, ou clique diretamente aqui e ...
. Conheça na íntegra o PL 227/08(para o SUS) e o PL 228/08 (para os planos e seguros privados de assistência à saúde).
. Veja também a proposta da SBP para a AMB (para inclusão na CBHPM) e para a ANS sobre a consulta de puericultura:
CBHPM. Criação da "Consulta de Puericultura" e revisão do valor do procedimento "visita hospitalar" (Carta do dr. Dioclécio Campos Jr. ao dr. Amilcar Giron, Coordenador da Câmara Técnica da CBHPM, 18/08/08)
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Convulsões e Epilepsia
Epilepsia é uma condição clínica caracterizada por um distúrbio neurológico que se repete: as crises convulsivas ou convulsões. Apesar do imaginário cotidiano trazer sempre a relação entre cenas violentas de pacientes se debatendo e salivando incontrolavelmente, a convulsão pode ser um evento bem mais discreto, como um repuxar de lábios ou um jogar para frente da cabeça. Pode ocorrer mesmo com musculos lisos (das alças intestinais, por exemplo) e pode também ter manifestações não motoras, como alucinações visuais, olfativas ou táteis. Pode haver simplesmente cefaléia (dor de cabeça) ou astenia (dor no corpo). Pode haver ausência, quando o paciente parece que "congela" por alguns momentos.
Basicamente, acontece uma falha na condução elétrica do cérebro, seja por problemas anatômicos ou químicos. Às vezes, não detectamos problema nenhum.
Comparando o nosso cérebro a um aparelho elétrico/eletrônico, é como se ele entrasse em "curto-circuito". Esse curto pode ocorrer porque as vias de condução do estímulo elétrico estão prejudicadas (um sangramento no cérebro ou um tumor, por exemplo) ou podem acontecer porque derramaram coisas sobre os circuitos que não deveriam estar ali (intoxicação por algumas substâncias, infecções, etc). Em outros casos, não há nada de errado com o circuito, mas o "CHIP" que controla as descargas elétricas pode ficar desrregulado, mandando impulsos elétricos irregulares e fortes, o que pode desencadear crises, momentaneamente (como na febre alta em crianças que tem história de convulsão febril, por exemplo)ou em definitivo(foco epiléptico).

O que caracteriza a convulsão e nos permite seu correto diagnóstico é justamente a alteração do ritmo elétrico habitual do encéfalo (verificado através de um exame chamado de eletroencefalograma - EEG) associado a uma manifestação clínica suspeita no mesmo momento.
A mais comum é a convulsão tônico clônica, caracterizada por movimentos repetitivos e/ou espasmos, discretos ou bruscos.
Estas crises podem ser generalizadas (quando tomam conta do paciente por completo) ou parciais (só o lado direito do corpo, ou só um repuxar de lábios, por exemplo). A duração é variável: de poucos segundos a vários minutos.
Veja os vídeos abaixo
Neste caso, podemos observar os espasmos repetitivos (movimentos tônico-clônicos), eversão ocular (virar os olhos) é comum; sialorréia (salivação incontrolável) também; pode haver liberação de esfíncteres (perda involuntária de fezes ou urina). O mais característico é que o paciente perde totalmente o contato, a comunicação com as pessoas ao redor, e não reage à dor.
Devemos colocá-lo deitado sobre o lado esquerdo do corpo, garantir que ao seu redor não haja riscos de que ele se machuque (derrubando um abajur, por exemplo), e procurar ajuda.
Pode durar de poucos segundos há vários minutos, e após, é frequente o paciente ficar torporoso, sonolento, ou irritado e com dor de cabeça, dor no corpo.
Às vezes, basta combater a causa (abaixar a febre ou drenar um sangramento), mas muitas vezes, é preciso usar uma medicação anti-convulsivante, como um benzodiazepínico, para abortar a crise.
O vídeo abaixo ensina o que fazer se você presenciar uma crise convulsiva.